quinta-feira, 14 de maio de 2015

A IGREJA APÓS O ARREBATAMENTO

Dois eventos aguardam a igreja arrebatada ao céu, o Tribunal de Cristo e as Bodas do Cordeiro. Enquanto na terra acontece a grande tribulação a igreja tem um período de núpcias com seu noivo.

O TRIBUNAL DE CRISTO

Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade, o Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo. I Co 3:11-15
Também chamado de Tribunal de Deus em Rm 14:10 (ARA), o tribunal de Cristo será o próximo acontecimento para a igreja após o arrebatamento. O texto acima detalha como será o Tribunal, porém com este titulo é somente encontrado em Romanos 14:10 (RC) e II Co 5:10.

Existem dois termos gregos usados no Novo Testamento para se referir a um tribunal:

kriterion (krithrion): O primeiro nome para tribunal encontrado no novo testamento é kriterion (krithrion), que significa:

1) instrumento ou meios usados para julgar algo; critério ou regra pela qual alguém julga; 2) lugar onde acontece o julgamento; tribunal de um juiz; assento dos juízes; 3) assunto julgado, coisa a ser decidida, processo, caso. (Strong).

Kritérion é usado em I Co 6:2, 4 e Tg 2:6, para se referir julgamento, avaliação para possível condenação ou absolvição, este termo, como também o traduzido por Juiz, krites (krithv), têm como raiz a palavra krino (krinw) que significa:
1) separar, colocar separadamente, selecionar, escolher;
2) aprovar, estimar, preferir;
3) ser de opinião, julgar, pensar;
4) determinar, resolver, decretar;
5) julgar.

A conclusão a que chegamos é que nas referências em que são usados estes termos acima citados, não podem descrever ou ser utilizados para se referir ao Tribunal de Cristo.

Bema (bhma): este termo é usado em Rm 14:10 e II Co 5:10 para designar o tribunal de Cristo, Strong define assim:

1) um degrau, um passo, o espaço que um pé cobre; 2) um lugar elevado no qual se sobe por meio de degraus, plataforma, tribuna; assento oficial de um juiz; o lugar de julgamento de Cristo; Herodes construiu uma estrutura semelhante a um trono na Cesaréia, do qual ele via os jogos e fazia discursos para o povo.
Diferente do primeiro, Bema fala do tribunal em si, ou seja, do lugar onde o julgamento é feito e não do julgamento propriamente dito, também retrata um lugar de honra, uma tribuna de honra. Sale-Harrison ao comentar sobre o bema, diz:

Nos Jogos gregos de Atenas, a velha arena tinha uma plataforma elevada na qual na qual se assentava o presidente ou juiz da arena. Dela ele recompensava todos os competidores; e lá ele recompensava todos os vencedores. Era chamado bema ou assento de recompensa. Nunca foi usado em referencia a um assento judicial

Concluímos que o tribunal de Cristo não se trata de um julgamento onde os réus correm o risco de serem condenados, mas sim um “grande evento” onde os crentes em Jesus receberão suas recompensas.

Observação Importante:
Não podemos cair no mesmo erro de algumas crenças, que usam esta passagem para criar o ensino sobre purgatório crendo, então, que este é um tribunal de juízo. Ao lerem o que Paulo fala a respeito de “salvos como pelo fogo”, dizem que os que não fizeram o bem necessário para serem salvos, nem o mal necessário para serem condenados, irão para o purgatório esperar um julgamento posterior que poderá lhes dar uma segunda chance. Para amenizar sua pena no purgatório e ir mais rápido para o céu, o réu pode contar com ajuda dos vivos através de velas, missas, orações, indulgências etc.


Como será o tribunal de Cristo ?

Quando em II Co 5:10 Paulo diz que “todos devemos comparecer” diante deste tribunal, e este “comparecer” no grego é phaneroo (fanerow), que significa :tornar manifesto ou visível ou conhecido o que estava escondido ou era desconhecido, manifestar, seja por palavras, ou ações, ou de qualquer outro modo. (Strong) Isto quer dizer muito mais que comparecer, nós seremos manifestos. Cristo revelará publicamente a essência de nossas obras, “a obra de cada um se manifestará” (I Co 3:13), e isto de maneira individual, um por um.

De um modo geral divide-se as obras em dois grupos, de acordo com os materiais usados por Paulo em I Co 3:12-13:
“Se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará: na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um”.

a) O grupo das obras destrutíveis: madeira, feno e palha.

Todos este materiais apresentados por Paulo são totalmente destruídos quando lançados ao fogo, e o paralelo que ele faz é justamente esse, pois ele mesmo nos diz que “o fogo provará qual seja a obra de cada um”.Obras feitas sem a devida sinceridade, praticadas para a própria glória, nunca passarão pelo fogo revelador, porém é importante ressaltar que a avaliação do tribunal não julgará as obras como sendo boas e más, mas sim como sendo úteis e inúteis, também é bom
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lembrarmos que o propósito central do bema de Cristo não é humilhar ou envergonhar os salvos, e sim galardoa-los.

b) O grupo das obras indestrutíveis: ouro, prata e pedras preciosas.

O fundamento do edifício é o próprio Jesus Cristo, e por isso mesmo se deve usar materiais, que condigam com este fundamento. Este grupo fala das obras produzidas pela direção do Espírito de Deus, feitas com sinceridade e sem nenhuma pretensão de vanglória, o fogo trará a tona o que realmente é verdadeiro em nossas obras, e é sobre o que restar, e se restar algo, que seremos galardoados.
Quanto à recompensa, parece-nos sensato pensar que ela será uma coroa, devido a representação da igreja pelos 24 anciãos em Ap 4, estes usavam coroas que no grego é stephanos, este termo era usado para se referir as coroas ou guirlandas que os vitoriosos em jogos olímpicos recebiam como prêmio (I Co 9;24-25).



BODAS DO CORDEIRO


Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. (...) disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.(Ap 19:7, 9)

Uma das mais importantes metáforas a respeito da igreja com certeza é a de apresenta-la como “noiva”. Existem outras muito usadas e importantes que apresentam como “corpo de Cristo” e “rebanho”, porém a metáfora de noiva nos parece ser a mais atraente e define melhor o relacionamento entre Cristo e sua igreja. João batista apresentou Jesus como o noivo e ele sendo apenas o amigo que se alegrava em ver a sua alegria (João 3:29). Paulo também usa a metáfora para falar a respeito da vida conjugal, fortalecendo seu ensino com o exemplo de Jesus, que amou sua igreja (noiva) e deu a vida por ela (Ef 5:21-29). Nos versículos acima vemos o João, o apóstolo, usando para falar do momento da celebração da união de Cristo com sua amada igreja.

“As bodas do Cordeiro” serão realizadas no céu, já que é lá que a igreja se encontra após o arrebatamento, será também após o tribunal de Cristo, e isto pode ser visto pelas vestes que a
“igreja usa” quando é apresentada ao noivo (Jesus) representando a justiça confirmada pela avaliação do tribunal (Ap 19:8).


Vemos que esta união no céu revela a importância deste evento, pois, para um judeu, existem três acontecimentos significativos na vida, que são: o nascimento, o casamento e o dia da morte, sendo que dentre todos o casamento é o mais importante, já que para um judeu um homem só realmente é considerado como tal, quando se casa e forma uma família. Por isso vemos o casamento ser usado com abundância no Velho Testamento, falando do relacionamento entre Deus e Israel (Jr 3:20; Ez 16:32, 45; Os 2:2, 16); no Novo Testamento, Jesus usa para falar sobre a rejeição dos judeus ao evangelho (Mt 22:1-14), para alertar quanto à vigilância devido sua futura vinda (Mt 25:1-13) entre outros, porque era algo que os Judeus entendiam muito bem e sabiam a responsabilidade que era ser noiva, seja esta noiva Israel ou a igreja.

Que você possa ser abençoado com esse estudo. E se, porventura, houver alguma dúvida, estou a disposição para esclarecer.

Att

Pastor Fernando Favoretto